Este manual é constituído de elementos extraídos de livros de autoria do Prof. Luiz Machado, principalmente: “Introdução à Aprendizagem Acelerativa”, “Princípios de Emotologia e Emotopedia”, “O Cérebro do Cérebro”, “Toda Criança Nasce Gênio”, “Auto-Estimulação da Inteligência”.
O conteúdo aqui apresentado é o conhecimento básico que um professor precisa dominar para atuar neste campo de desenvolvimento das capacidades humanas. Para dominar o campo de conhecimentos sistematizados, a fim de promover o desenvolvimento das capacidades humanas como elemento de auto-realização, nós cunhamos a palavra híbrida Emotologia (do latim e(x), “para fora”; motus, “movimento” e do grego - logos, “estudo de”, mais o sufixo - ia). A aplicação dos conhecimentos da Emotologia ao processo de ensino/aprendizagem é a Emotopedia.
Como no parágrafo anterior mencionamos pela primeira vez neste artigo a palavra “profēssor”, vamos fazer algumas considerações sobre ela, que vem do latim professor (pronuncia-se [proféssor]), “o que cultiva uma arte”, “o que é versado em”, do verbo profitēri (pronuncia-se [profitéri]), de pro, “diante de” e fatĕor (pronuncia-se [fáteor]), “declarar”. Etimologicamente, “professor” é “aquele que declara seus conhecimentos diante de outrem”. Ora, no nosso sistema de Aprendizagem Acelerativa, o professor é “aquele que leva o aluno a aprender”, “aquele que cria as condições para que o aluno aprenda”; por isso, preferimos denominá-lo de “coordenador de equipe”.
No momento em que queremos tornar a aula ativa, vibrante, interativa, não cabe a figura daquele que “dá aula”, isto é, expõe o conhecimento a um grupo de alunos passivamente sentados compondo um auditório cativo.
“Coordenador” e não “chefe” da equipe, porque o verdadeiro chefe de uma equipe é o objetivo para o atingimento do qual ela existe.
Quando se diz “não é o professor que ensina, mas o aluno que aprende”, em vez de diminuir-se, aumenta-se a responsabilidade do professor, pois seu trabalho não se esgota em “dar aulas” e, sim, quando o aluno aprende, melhor ainda, quando o aluno aprende a aprender e aprende a gostar de aprender; aprende a fazer o que se torna capaz de fazer. Um trabalho sem resultados é como uma árvore que não dá frutos. Se o aluno não aprende, o professor fracassa. Como Coordenador de Equipe, ele tem mais oportunidade de ver o resultado de seu trabalho.
O desempenho que a sociedade espera do novo professor é que ele seja um animador, que desperte entusiasmo por aprender em seus alunos e que contribua para promover o desenvolvimento das potencialidades de seus alunos como elemento de auto-realização; assim, antes de ser professor desta ou daquela disciplina, o compromisso do novo professor é conduzir a aprendizagem de modo que o aluno desenvolva sua inteligência e sua criatividade para melhor qualidade de vida.
Daqui por diante, vamos usar a denominação Coordenador de Equipe em lugar de “professor”, mesmo porque este artigo se destina a todos que ensinam, formal ou informalmente. Mesmo se, em alguma passagem, usamos a palavra “professor” estaremos nos referindo a Coordenador de Equipe. (Quando dizemos “ensinar” entenda-se “criar as condições para o aluno aprender”). Onde há comunicação, há alguma forma de aprendizagem. Por exemplo, na arte e ciência de administrar, as pessoas devem estar em constante processo interativo de aprendizagem. Já num trecho do grego Sêneca, cognominado “O Filósofo”, que viveu no início do primeiro milênio da era cristã, lêem-se as variantes em latim docēndo discĭmus (Pronuncia-se [docéndo díscimos] ou docēndo discĭtur (Pronuncia-se [docéndo díscitur}, que se traduz “ensinando aprendemos”.
As pessoas são movidas por respostas a estímulos que mexem com suas significações. O termo-chave é este: significações, no qual está a raiz indo-européia sek, com o sentido de “cortar”. Com efeito, o sinal, o signo, é uma marca feita por incisão. Ao longo da vida, a pessoa vai ficando com suas marcas, suas significações que vão constituir sua programação mental. Aquilo que causa impressão no SAPE, isto é, aquilo que as afeta (do latim afficĕre [pronuncia-se “afícere”], de ad, “para junto de” e facĕo (pronuncia-se [fáceo]), “faço”, vai provocar registros, significações, ao nível dos centros diencefálicos* ou seja, do sistema límbico*, e se relaciona com emoção. É preciso tocar no significado dos alunos, é preciso afetá-los para interessá-los nas ações.
Em nossos dias, tem havido muita confusão no uso de certos termos, gerando indecisão no seu uso e imprecisão no seu significado. Assim, a palavra neurolingística, que nos meios científicos, significa “um ramo da Lingüística que estuda as precondições neurológicas para o desenvolvimento e uso da linguagem no ser humano” passou a ser usada por alguns no sentido de Psicolingüística, isto é, os processos psíquicos subjacentes à aquisição e uso da linguagem. A ciência que estuda os significados é a Semântica, ramo da Lingüística, daí nossa proposta de usar Neurossemântica em lugar de neurolingüística para designar os estudos e aplicações da linguagem conceitual na formação e modificação de significados.
A aprendizagem acelerativa aplica-se a qualquer disciplina, uma vez que ela é centrada na pessoa que aprende e não no tipo de conhecimento apresentado.
Todo Coordenador de Equipe, professor de qualquer disciplina, deve ser um ator para despertar emoções, um diretor de teatro animador para saber gerar entusiasmo, um mágico para revelar o enorme potencial de seus alunos e um lógico para poder avaliar segundo a razão. Há em cada um de nós o Gênio da Lâmpada de Aladim, pronto para surgir, obedecendo ao toque de seu mestre para realizar-lhe os desejos. O professor deve ser o mestre que ensina ao aluno como esfregar a si mesmo para libertar o gênio da lâmpada que está dentro de si. É como o toque de fada*, que transforma sapos em príncipes.
Nós não propomos um “método” rígido e, sim, um sistema, isto é, um conjunto de elementos interagindo para conseguir RESULTADOS. Num sistema, devemos descartar FINS, OBJETIVOS, METAS e CONTROLE. Fins são resultados finais abstratos, teóricos, ideais, de longo alcance, pertencentes ao mundo dos valores e não avaliáveis de maneira direta. Objetivos são resultados finais concretos, práticos, reais, alcançáveis em determinados períodos, pertencentes ao mundo dos bens, avaliáveis diretamente. METAS são etapas intermediárias no atingimento de objetivos. O objetivo mais o fim constituem a missão. Controle é o ajuste dos meios aos fins e à consecução dos objetivos. No sistema que usamos e propomos aos colegas, as “provas”, “os testes” são substituídos por “verificações de atingimento de objetivos” (VAO´s). Além destas verificações, nós temos momentos especiais para que se faça uma avaliação interna do que se venha realizando, com a participação de todos, coordenador de equipe e alunos, numa conversa franca e honesta; por isso, chamamos a esses momentos de CÍRCULOS DE CONTROLE DE APRENDIZAGEM (CCA).
*Para compreensão de termos técnicos de Biologia usados neste artigo, recomendamos o livro O Cérebro do Cérebro, do mesmo autor.
Artigo
extraído dos livros do Professor
Luiz Machado, Ph.D.
Cientista Fundador da Cidade do
Cérebro
Mentor da Emotologia |