Leio, hoje, 18 de outubro de 2007, notícia, na seção “Ciência”, do jornal “O Globo” que o cientista James Watson afirmou, em entrevista ao “Times”, que os negros são menos inteligentes que os brancos, o que me chocou, na minha condição de ex-pesquisador (visiting scholar), na Universidade de Columbia, Nova York e, por 26 anos, chefe do PEDIC (Programa Especial de Desenvolvimento da Inteligência e da Criatividade), na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ocasiões em que me dediquei ao estudo da inteligência e da criatividade, estudos que continuam hoje na “Cidade do Cérebro”, em Campinas, SP.
A polêmica se os negros são menos inteligentes que os brancos já está superada, pois os estudos genéticos são praticamente unânimes ao afirmar que nem mesmo o termo “raça” pode ser usado porque, do ponto de vista genético, os seres humanos, todos são absolutamente iguais.
Segundo a notícia do jornal, Watson declarou que “testes” sugerem que os brancos são mais inteligentes. Perguntamos nós: que testes? Se são os chamados testes de inteligência, eles são, na verdade, uma farsa. Mesmo porque não se pode medir o que não se conhece e muito menos o que não existe como condição. A inteligência é resposta a estímulos e depende de três fatores: o berço, isto é, o ambiente em que a pessoa veio ao mundo; a educação, isto é, a maneira pela qual são tratadas as potencialidades de cada um e o fator genético, visto este principalmente por problemas neurológicos herdados e não por qualquer capacidade extraordinária.
A inteligência depende também do chamado Efeito Pigmaleão, ou Efeito Rosenthal, este último nome é de acordo com o psicólogo que demonstrou a validade da afirmação “que as pessoas tendem a emitir o comportamento que se espera delas”. Podemos bem avaliar o estrago que o preconceito racial causa nas pessoas e também declarações como a que faz James Watson.
Na verdade, como Watson está lançando um novo livro neste momento, acreditamos que sua afirmação é uma estratégia de marketing para chamar atenção e, logo depois, ele virá a público declarar que não foi bem isso que queria dizer.
A Emotologia, corpo de conhecimentos para promover o desenvolvimento das potencialidades humanas como elemento de auto-realização, repele, com argumentação científica, qualquer tentativa de considerar uns seres humanos inferiores a outros.
Professor
Luiz Machado, Ph.D.
Cientista Fundador da Cidade do Cérebro
Mentor da Emotologia |