| Para
que haja um determinado tipo de inteligência
é preciso que a Natureza tenha
assim determinado e criado as condições
físico-orgânicas para
isso. Ao se estudar o cérebro
sadio, com o propósito de entender
o seu funcionamento e sua capacidade
de operar, compreender e criar coisas,
só encontramos condições
para dois grandes tipos de inteligência:
a grande inteligência, a inteligência
de ser, analógica e instintiva,
e a inteligência racional, também
chamada de noética, tornada
possível pelo intelecto e suas
funções e identificada
com a lógica aristotélica.
As
estruturas que tornam possível
a grande inteligência são
as que compõem o chamado
sistema límbico, e as estruturas
que tornam possível a inteligência
racional é a organização
neuronal do córtex cerebral,
não havendo, além
dessas, estruturas cerebrais que
nos permitam falar em outros tipos
de inteligência.
Howard
Gardner, ao lançar sua teoria
das múltiplas inteligências,
no seu dizer: inteligência
lingüística, inteligência
lógico-matemática,
inteligência visuo-espacial,
inteligência musical, inteligência
corpo-cinestésica, inteligência
socio-interpessoal, inteligência
intrapessoal, inteligência
naturalista, - tendo considerado,
mais tarde, a possibilidade de uma
inteligência espiritual -,
parece ter confundido habilidade
com inteligência.
Na
verdade, o que Gardner chamou de
"inteligências" são
habilidades que estão englobadas
nos dois grandes tipos de inteligência,
mas não constituem, por si
mesmas, tipos de inteligência.
Se
fôssemos aceitar múltiplas
inteligências, estaríamos
regredindo às idéias
do médico alemão Franz
Joseph Gall (1758-1828),que criou
a frenologia, segundo a qual o formato
do crânio indicaria, logo
abaixo, certas circunvoluções
cerebrais (bossas) que dariam condições
especiais de inclinações
para determinados assuntos: lingüísticos
(bossa para línguas), para
matemática (bossa para matemática),
para música (bossa musical)
e assim por diante. A teoria de
Gall foi bem aceita e, à
época, eram poucos os médicos
que não tinham em seus consultórios
uma cabeça frenológica
de porcelana. Essa teoria é
mencionada hoje apenas para relato
histórico, sem nenhuma validade
científica.
Voltando
aos dois tipos de inteligência:
quando desenvolvemos bastante cada
um deles, chegamos ao conceito de
superinteligência, como é
lógico.
Como
a grande inteligência é
tornada possível basicamente
pelas estruturas do sistema límbico,
situadas bem no interior do cérebro
e mais responsável pelas
emoções, há
quem a chame de inteligência
emocional , o que o autor deste
artigo, no início, evitou
fazer, uma vez que a palavra emocional é polissêmica
e seus vários sentidos tornam
confuso seu entendimento. Por isso,
este autor usou a expressão grande inteligência em sua conferência, em Estocolmo,
Suécia (em 1984), quando
apresentou o conceito do que o americano
Goleman chamou, em 1995, de "inteligência
emocional".
Outra
razão que nos leva a considerar
duas formas de inteligência
é o fato que temos dois hemisférios
cerebrais, cada qual com suas funções
específicas: enquanto o esquerdo
é o da inteligência
lógico-racional, o direito
é o da grande inteligência.
As habilidades lingüísticas
são possíveis graças
a estruturas no hemisfério
esquerdo (área de Broca e
área de Wernicke), da mesma
forma que as habilidades lógico-matemáticas.
A inteligência musical, a
corpo-cinestésica, a sócio
interpessoal, a intrapessoal, a
naturalista do hemisfério
direito.
Ainda
mais: sempre se considerou duas
maneiras de pensar, a indução
(da grande inteligência) e
a dedução (a inteligência
noética). O pensamento por
analogia, isto é, pelas semelhanças
nas relações, é
uma indução começada.
Como
se vê, pelas razões
expostas acima, não há
que se falar em múltiplas
inteligências e, sim, habilidades
dos dois grandes tipos de inteligência.
Professor Luiz Machado,
Ph.D.
Cientista
Fundador da Cidade do Cérebro
Mentor da Emotologia |